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Gerenciamento da sustentabilidade em micro e pequenas empresas no Brasil

Gerenciamento da sustentabilidade em micro e pequenas empresas no Brasil

Segundo o Sebrae (Serviço brasileiro de apoio às micro e pequenas empresas ) no Brasil existem 6,4 milhões de micro e pequenas empresas (MPEs). Estas empresas respondem por 52% dos empregos com carteira assinada no setor privado do país (16,1 milhões) segundo o Sebrae 2015 (http://www.sebraesp.com.br). E os dados do Sebrae mostraram também aumento do faturamento deste setor, e no ano de 2012, por exemplo, o fatutamento médio real anual destas empresas foi de r$98.211, 64. Os dados mostrados acima mostram a importância destas empresas para a produção e geração de empregos para o país. Porém, este crescimento também evidencia um problema relacionado às questões ambientais, pois o gerenciamento das empresas levando em conta a responsabilidade ambiental ainda é uma realidade distante. Este cenário poderia ser diferente se as empresas implementassem planos de gerenciamento da sustentabilidade na administração dos negócios.

Historicamente falando o conceito de desenvolvimento sustentável (DS) foi apresentado pela WorldCommission on Environmental Development, em abril de 1987 através do relatório “Nosso Futuro Comum”, também conhecido como “Relatório Brundtland”. Neste contexto o desenvolvimento sustentavél é definido de maneira simples e objetiva como sendo “o desenvolvimento que encontra as necessidades do presente sem comprometer a habilidade das futuras gerações de encontrar suas próprias necessidades”. Esta comissão foi presidida por Gro Harlem Brundtland que foi na época primeira-ministra da Noruega e Mansour Khalid, daí o nome final do documento. Porém, no mundo corporativo o conceito de desenvolvimento sustentável foi definido pelo World Business Council for Sustainable Development (WBCSD) como “o alcance do equilíbrio entre as três dimensões que balizam a sustentabilidade: economia (diferencial competitivo), meio ambiente (ecoeficiência das operações) e a sociedade (responsabilidade social)”.

Os principais motivos para a inclusão dos princípios do DS na adminstração de empresas a partir da publicação do Relatório Brundtland foram o agravamento dos problemas de contaminação no meio ambiente; além dos prejuízos resultantes de um modelo de administração baseado no lucro apenas, sem responsabilidade socioambiental. O cenário global de crise ambiental decorrentes deste modelo administrativo passa, por exemplo, por elevados índices de emissões de gases causadores do efeito estufa; aquecimento global; desmatamento; eutrofização de corpos d’água, além da geração e lançamento de poluentes em grandes quantidade, extinção acelerada de espécies com consequente perda da biodiversidade, aumento da pobresa e desigualdade social das populações humanas.

A implementação dos princípios da sustentabildade em micro e pequenas empresas do país ainda é uma realidade distante, mesmo sabendo que este setor tem uma grande participação tanto na geração de riqueza quanto na geração de empregos. Não se pode negligenciar, portanto, os impactos ambientais provenientes das atividades deste setor. No setor em questão, diversos fatores são apontados como sendo limitantes para a implementação dos princípios da sustentabilidade em micro e pequenas empresas como: falta de conhecimento sobre o tema; baixa profissionalização dos administradores; baixo comprometimento dos gestores; modelos de gestão hierárquicos e patriarcais; pouco incentivo financeiro com taxas ambientais e custo de recursos relativamente baixos; pressão ainda limitada dos consumidores relacionada aos padrões de compra atual; necessidade de reagir continuamente às mudanças de mercado; falta de estrutura de apoio governamental; e também a falta de integração entre empresas, governo e movimentos sócio-ambientais no país.

Porém, os administrados mais atentos não podem negar uma mudança no perfil do consumidor nas últimas décadas, que tem exigido cada vez mais produtos ecologicamente corretos (green products ou eco friendly products em língua inglesa) que não causam danos ao meio ambiente. Estas mundaças de perfil e tendências dos consumidores devem ser acompanhas de perto pelos administrados que visam continuar no mercado e também visando crescimento e expansão do negócio. A mudança no perfil dos consumidores de países como Holanda, Finlândia, Dinamarca e Alemanhã, provocou uma mudança no setor industrial e até mesmo a criação de novos negócios baseados nos princípios da sustentabilidade. Ou seja, os princípios da sustentabilidade não devem ser vistos como uma ameaça externa pelos administradores, mas sim como uma oportunidade de novos negócios. Posteriormente, consumidores de países como Estados Unidos, Canada e Japão, e logo depois o Brasil tem seguido a mesma tendência do consumo consciente, buscando produtos ecologicamente corretos. Este fato em si já é uma evidência para as tendências futuras, e com o crescimento observado no setor de micro e pequenas empresas nos últimos anos no país, é importante que os empresários estejam atentos não somente nas mudanças que podem ser uma ameaça externa, mas principalmente, nas oportunidades de novos negócios.

Para exemplificar esta nova tendência no comportamento do consumidor citarei o Greendex. O Greendex é um estudo científico quantitativo do consumo também conhecido por índice de consumo sustentavel, que é realizado pela National Geographic/GlobeScan em 18 países do mundo. Os resultados desta avaliação realizada em 2014, por exemplo, mostram que países de economia em desenvolvimento como Índia e China, ocupam as primeiras posições, seguidos por Brasil e Argentina em preocupação com consumo sustentavel. Este fato em si demonstra a importância dos administradores em estar atualizados em relação ao comportamento do consumidor.

Estar atento às tendências do mercado consumidor é um importante passo para as empresas que querem se manter no mercado e pretendem crescer. Por este fato, estar atendo aos princípios da sustentabilidade no gerenciamento das empresas é de fundamental importância tanto para o presente como para o futuro da empresa. O passo inicial para a implementação destes princípios é a Decisão Organizacional, cabendo aos dirigentes reconhecer a necessidade da implementação de práticas baseadas na sustentabilidade. Posteriormente, tem que se considerar a Missão (como razão de ser ou intenção original do fundador da organização), e a Visão (motivação que mantém a organização no caminho do futuro e expressa o que ela é) para que sejam incorporados os princípios da sustentabilidade na estrutura organizacional da empresa. Assim que estes princípos sejam implementados, uma avaliação e monitoramento constante devem ser realizados com consequente aprimoramento das práticas na administração das empresas.

Buscar certificações também são passos importantes para os empresários que objetivam implementar um modelo de gestão baseado na sustentabilidade. Neste quesito merece destaque a utilização Dow Jones Sustainability Indexes (DJSI), da bolsa de valores de Nova York, e o brasileiro Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) da bolsa de valores de São Paulo – Bovespa. O DJSI foi lançado em 1999 pela Bolsa de Valores de Nova York objetivando avaliar o desempenho de empresas de um mesmo setor econômico em termos da sustentabilidade empresarial para possíveis investimentos. Seis anos depois, no Brasil, foi criado o Índice da Bovespa de Sustentabilidade Empresarial, com o objetivo de refletir o retorno de uma carteira composta por ações de empresas com reconhecido comprometimento com a responsabilidade social e a sustentabilidade empresarial, além de atuar como promotor das boas práticas no gerenciamento de negócios.

Em resumo, o empresário ou administrador moderno deve estar atualizado e sempre buscando aperfeiçoamento para atuar em um mundo dos negócios cada vez mais dinâmico e competitivo.

Fonte: Administradores

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