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Caminhoneiros usuários de drogas buscam ajuda para vencer o vício

Caminhoneiros usuários de drogas buscam ajuda para vencer o vício

Caminhoneiros que fazem uso de drogas buscam ajuda do poder público. O uso dos chamados rebites, comprimidos que ajudam a tirar o sono e causam dependência, por uma parcela dos caminhoneiros que cruzam as estradas do país podem levar ao uso de outras drogas mais pesadas e ilegais, como a cocaína e o crack. Motoristas que se tornaram dependentes buscam ajuda para tentar se livrar do vício.

Do rebite ao crack
A mulher de um caminhoneiros que se viciou em drogas conta que o marido começou com o rebite. Com o tempo, o comprimido não fazia mais efeito. Foi o que levou o motorista para o crack e a cocaína.

"Numa dessas viagens, eu fui junto para São Paulo. A gente parou num posto de gasolina. Aí eu desci do caminhão para procurar ele no banheiro. Ele estava se drogando. Usando a pedra [crack]. A gente voltou no caminhão, peguei no bolso dele o cachimbo ainda quente e joguei pela janela e no outro bolso também acho que era pedra enrolada num papel", conta a mulher.

O efeito da droga durou horas, ela lembra. "E ele continuou assim, não almoçou nada, só saiu o efeito mesmo acho que eram umas 22h, que deu fome nele".

"No momento em que há a ingestão da droga, acabou. A sequela, o resultado, o malefício vão ser iguais de um de outro", disse Ildo Rosa, do Conselho Nacional dos Entorpecentes (Conem), ao comparar o caminhoneiro dependente com outros usuários.

Dependência
A situação do caminhoneiro do começo da reportagem é de dependência, segundo a mulher dele. "Ele é um viciado, não quer se tratar, ele não reconhece, ele acha que pode parar a hora que quer".

Ele já tentou parar duas vezes se internando em clínicas de recuperação. Em uma delas, se surpreendeu. "Ele reencontrou os colegas de caminhoneiro, da estrada".

Começo do vício
Outro caminhoneiro relatou o começo do vício. "Eu comecei a trabalhar com caminhão, a puxar contêiner. Aí já me apresentaram a cocaína. Nós parávamos, geralmente eram quatro, cinco caminhoneiros que andavam juntos. Já combinava no rádio onde a gente ia parar para abastecer, para jantar".

Segundo ele, o grupo juntava dinheiro. Cada um pegava cinco gramas da droga e saíam para a estrada.

Outro caminhoneiro também entrou nas drogas pelo mesmo caminho: rebite, cocaína e crack.

"Até conhecer o crack na virada do ano, eu não aceitava que era dependente. Eu cheirava todo dia. Tanto é que eu parava para almoçar e tinha que tomar uma cerveja e cheirar. Eu tinha que ter cocaína todo o dia até que eu conheci o crack. Quando eu conheci o crack acabou, desvastou com a minha vida. Eu caí na real que eu era dependente", contou.

Busca por tratamento
A saúde pública conta com um sistema para ajudar na recuperação, os Centros de Atendimentos Psicossocial (Caps). "Ali, [o dependente] será acolhido por profissionais de medicina, que terão como avaliar o comprometimento e o nível de dependência desse usuário de drogas", diz Ildo Rosa.

Dependendo do diagnóstico, a pessoa pode procurar o Conem para conseguir uma vaga em uma comunidade terapêutica. É onde o último caminhoneiro citado está atualmente.

Ele falou de duas razões que o levaram a buscar o tratamento. "Primeiro, pra minha vida. Pra me ver livre dessa desgraça que é a droga. E segundo porque eu podia me matar ou matar terceiros aí na estrada, porque andava igual a um louco".

O homem ainda quer seguir na antiga profissão de caminhoneiro. "Pretendo voltar a fazer o que eu fazia, mas sem droga. Sei que não vai ser fácil, vou ter que matar um leão por dia, mas nada é impossível".

Por fim, a pedido da reportagem, aconselha os motoristas que viraram dependentes. "Diria pra fazer o que eu fiz. Pedir ajuda, porque sozinho ninguém consegue sair, não".

Fonte: G1

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