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Autismo: aumento de casos nos EUA se deve à mudança nos critérios de diagnóstico

Autismo: aumento de casos nos EUA se deve à mudança nos critérios de diagnóstico

Entre 2000 e 2010, o número de estudantes com autismo que se inscreveram em programas de ensino especial nos Estados Unidos triplicou, segundo dados da Universidade Estadual da Pensivâlnia, nos Estados Unidos. Porém, os pesquisadores descobriram que esse aumento não pode ser creditado apenas a um crescimento absoluto de casos do transtorno de desenvolvimento, mas também a uma mudança na forma do diagnóstico.

Segundo o estudo, o número de jovens inscritos (6,2 milhões) não sofreu aumento significativo durante o período da pesquisa, porém o número de crianças com deficiência intelectual declinou praticamente na mesma proporção que as diagnosticadas com autismo cresceu.

A análise desses dados levou os autores a concluírem que o aumento de jovens com autismo ocorreu em grande parte por causa da mudança na forma do diagnóstico durante o período de onze anos de análise. Segundo Alysson Muotri, pesquisador da Universidade da Califórnia especializado em neurobiologia, os novos critérios de diagnóstico são perceptíveis. “Antigamente apenas apareciam para nós os casos mais graves, não verbais, bem dependentes”, afirmou. “Hoje em dia, temos contato com muitos casos menos severos, como os aspergers.”

O pesquisador explica que o diagnóstico de autismo é feito de forma clínica, ou seja, por meio da observação do médico, e não existe um marcador biológico que possa ser detectado por exames. “O fato de o diagnóstico ser clínico o torna subjetivo”, esclarece Muotri. “É uma combinação do conhecimento científico, da familiarização do médico com a condição e de visões culturais sobre o desenvolvimento infantil.”

Os pesquisadores da Universidade Estadual da Pensilvânia estimam que, para as crianças na faixa de 8 anos de idade, 59% do aumento de casos de autismo se deve à reclassificação dos diagnósticos. Já, para os adolescentes de 15 anos de idade, a reclassificação é responsável por 97% do aumento. Segundo o estudo, uma das maiores dificuldades de diagnóstico é que o autismo costuma vir acompanhado de outras desordens e atualmente acaba se sobrepondo a elas na hora da classificação.

De acordo com Muotri, a conclusão do estudo é provável, mas não exclusiva. “O aumento de casos de autismo pode ser devido a uma transformação no diagnóstico e consciência do espectro autista, mas isso também pode ter outras causas ainda desconhecidas”, disse. “Apesar de já sabermos que o fator genético contribui por até 90% do autismo, nos resta entender qual o papel ambiental nesses restantes 10%”, reforça.

Segundo o pesquisador existem alguns fatores, como idade paterna e poluição, associados a uma alta frequência de casos de autismo, que poderiam explicar uma parcela do aumento de diagnósticos do transtorno. Porém, ainda não foram levantados dados suficientes para comprovar uma relação direta entre esses elementos. Para Muotri, é preciso pesquisa sistemática e experimental para decifrar as causas do transtorno e esclarecer definitivamente quais as razões de seu aumento.

Fonte: Revista Crescer

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